domingo, 31 de outubro de 2010

São tantas emoções...

Quanto mais eu me aprofundo, mais fico extasiado por este mundo de sensações e prazeres que é o Mundo dos Vinhos, não sei ao certo mas creio que se trata de um universo paralelo que conseguimos acessá-lo depois de algumas taças.
É claro que você tem que gostar e respeitar essa arte e não só beber por beber, cada gole é um misto de prazer, curiosidade, história, ciência e arte. Não sei onde li, mas os aromas que sentimos ao aproximar o nariz de uma taça de vinho, aquelas notas de frutas, flores e outros mais são constituídos da mesma estrutura atômica dos aromas das reais frutas e flores, portanto você realmente as sente no aroma dos vinhos, por isso é bom fechar os olhos e ir para o lugar onde estão esses aromas, deixe-se levar pela sua imaginação, é lá que está o prazer, é lá que está a liberdade de ser quem você é.
Alguém já disse que tudo que se acredita torna-se realidade, é claro que estou com algumas bolhas no cérebro neste momento, mas se as frutas e as flores aparecem na minha sala, porque as bolhas de um espumante não podem se tornar os balõezinhos das histórias em quadrinhos e povoar minha imaginação? É isso o que o vinho faz, aquece o coração e liberta a alma e com moderação tudo é possível!
Não são só os aromas físicos que podemos sentir, sentimos também os aromas das lembranças dos lugares, dos momentos, a famosa memória olfativa, hoje ao degustar uma taça do espumante Almadén – demi sec, ao levá-la ao nariz pude sentir o cheiro do Reveillon, da espera da meia-noite, da procura dos amigos em frente ao primeiro poste à esquerda na areia, no Conde do Mar, o cheiro do mar, da pólvora, talvez pela mudança climática, a sensação do calor estar começando...não sei...só sei que tudo é muito mágico e fascinante!
O vinho é isso, um turbilhão de emoções, basta prestar atenção identificar algumas e curtir.

Saúde a todos!

sábado, 30 de outubro de 2010

14 anos


Este é um texto especial, porque dia 19 de outubro e eu e a Andréa comemoramos 14 anos de casamento.
E nada mais especial do que nosso jantar tradicional, bem, não tão tradicional porque é preciso palmito in natura pra se fazer nosso prato comemorativo, e como encontrar o palmito in natura é dificílimo eu fiz com fundos de alcachofra, que também fica muito bom!
Mas essa receita eu não vou divulgar, vejam as fotos e tentem criar o de vocês que é o que vale.
Todo ano eu reservo algum $$$ para podermos aproveitar,  bem e este ano tomamos uma garrafa de Veuve Clicquot  demi-sec,  saímos um pouco do objetivo deste blog, mas comemoração é comemoração.
Não se pode deixar de tomar o verdadeiro champagne, saber que disputas políticas, intrigas internacionais foram criadas depois que a França determinou que só os espumantes elaborados na região de Remy poderiam ter no rótulo a denominação Champagne é emocionante, até o um guaraná teve que tirar o nome champagne, é mole???
Saber que está bebendo algo que é produzido com carinho e que é feito pra ocasiões como esta é mágico, por isso eu adoro vinho, há muito mais do que sabor, bolhas, cores, há história, intrigas e o principal, a emoção de se estar diante de algo centenário, a Pinot Noir e a Chardonnay estão tão bem equilibradas, a perlage é intensa e explode na boca...mágico...
Parabéns a nós por estarmos juntos e curtindo muito cada momento, porque é isso mesmo, curtir cada momento, se esforçar para se fazer o melhor, comer o melhor e beber o melhor, a Veuve Clicquot poderá aparecer o ano que vem, quem sabe?
Curtam e vivam o melhor que puderem!!!






sábado, 16 de outubro de 2010

Bom e barato.

Hoje me bateu uma vontade de fazer macarrão com atum, minhas filhas adoram e é muito fácil e rápido de se fazer:
1 pacote de macarrão
2 latas de atum (se possível uma de atum ralado e outra não)
Umas 4 colherzinhas de alcaparras
1 cebola  bem picadinha
2 dentes de alho
Shoyo
Azeite
Sal

Macarrão:
Encha a panela que vai cozinhar o macarrão com um pouco mais de meia panela de água filtrada – se gosta de cozinhar respeite os sabores - coloque 1 colher se sobremesa de sal, uma folha de louro e um fio de azeite.
Despeje o macarrão e misture bem pra não grudar, quando estiver al dente, está pronto.
Eu gosto de colocar uns dois dentes de alho com casca pra cozinhar na água, depois eu os coloco no prato, amasso com azeite e sal e como com pão e vinho...é muito bom!!!

Molho:
Pique a cebola, o alho e as alcaparras-deixando algumas ainda inteiras, coloque azeite numa panela e o esquente, procure não deixar o azeite queimar, coloque o alho, depois a cebola e quando a cebola estiver dourada e mole coloque shoyo, misture bem e depois coloque o atum, misture e coloque as alcaparras, se quiser ponha uma pitada de orégano, experimente e veja se precisa de sal, misture bem e abaixe o fogo. Quando estiver bem apurado desligue e está pronto.
Eu sirvo separadamente, porque se jogar o molho no macarrão ele chupa tudo.

Vinho:
Para acompanhar abri um merlot – chileno – Luis Felipe Edwards – 2009, apesar de ser merlot é um vinho bem leve e agradável, sem ser muito carregado nos taninos e com uma coloração bem vermelhinha, lembrando vinhos de garrafão (na cor), muito bom pra se tomar a toda hora, e olha que paguei bem baratinho, acredite, no Pão de Açúcar levando 3 garrafas sai cada um R$ 9,90 (eu trouxe 2 merlot e 1 carmenere).
Fica a dica, um programa bom e barato!

 
"Moderadamente bebido, o vinho é medicamento que rejuvenesce os velhos, cura os enfermos e enriquece os pobres."
Platão


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Evoluindo

Há alguns dias fui ao supermercado fazer umas comprinhas e acabei encontrado um amigo que não via há muito tempo, pois ele se mudou para o interior de São Paulo a trabalho, casou e ficou por lá mesmo e por coincidência estava ali procurando um bom vinho e ficamos conversando, foi quando ele me disse:
-Lembra quando a gente tomava aqueles vinhos alemães, de garrafa azul e aqueles Almadéns demi-sec?
Então, não consigo beber mais estes vinhos...
E é isso mesmo, quando a gente começa a beber vinhos secos nosso paladar evoluiu passando a distinguir e apreciar melhor os sabores e aromas. E esses vinhos, os garrafas azuis e os demi-secs, que foram essenciais para ingressarmos neste vasto universo da enofilia, nós os transcendemos, buscamos coisa melhor.
Não estou dizendo que não devemos mais beber os vinhos doces, moscatel, espumantes suaves, mas que neste caso trata-se da evolução do paladar, esse meu amigo em particular não gostava de vinhos secos, com o tempo ele amadureceu os sentidos para compreender melhor a essência dos tintos.
Com isso constatamos como o vinho pode ser fundamental, além das propriedades cientificamente comprovadas de benefícios a saúde, é também um exemplo de que temos que estar sempre evoluindo, buscando o melhor.


"A penicilina cura os homens, mas é o vinho que os torna felizes."
  KEITH FLOYD (Chefe da BBC)


terça-feira, 12 de outubro de 2010

...e tudo começou...

Dia 12 de outubro de 2010, tudo começou, é claro, tomando vinho.
Um casal de grandes amigos veio nos visitar, pois era dia das crianças e como eles são os "padrinhos do coração" de nossas filhas e "sempre" estão conosco, obviamente apareceram para nos presentear, não só com presentes para nossas filhas, mas também com suas presenças marcantes e agradáveis.
E tudo neste universo da enofilia é baseado no amor às pessoas, na cumplicidade dos relacionamentos, na pureza dos sentimentos, o vinho e a gastronimia em si são artifícios para a reunião de pessoas que gostam de curtir boa música, bons papos, boa comida e sobretudo, bons vinhos, sem necesssariamente gastar muito, pois existem bons vinhos a bons preços nos supermercados e empórios que podemos curtir com a mesma ou até melhor intensidade de quem tem cacife pra pagar mais de 50 ou 100 reais por uma garrafa de vinho.
Pois bem, estávamos nós, eu e minha esposa Andréa nos preparando para sair com as crianças, quando o meu xará Marcos (My Girl) e a Vanessa nos ligaram avisando que viriam visitar nossas filhas pois era dia das crianças (redundância).
Eles chegaram e eu fui pra cozinha preparar uns comes e bebes, sou de família potuguesa e visita de bons amigos na minha casa não sai sem comer e beber bem.
Também tinha Há Tempos (Legião Urbana) uma idéia de reunir pessoas em torno de um objetivo, beber vinho e curtir (são dois objetivos, mas tudo bem), resolvi que dali em diante eu colocaria em prática essa idéia e divulgá-la e o My Girl deu a idéia do blog.
Parafraseando nosso querido presidente Lula: " sem querer me gambar"...tenho uma boa adega de bons vinhos de supermercados e começamos a tarde tomando um Salentein - Malbec 2002 - Argentino, comendo um queijinho Pecorino que arrematei no Pão de Açúcar, numa promoção por R$ 9,90, tinha na geladeira uns 700 gr de bife de coxão duro, que fatiei e temperei com alho, shoyo e sal e fritei numa panela woc (porque a empregada tinha feito a faxina um dia antes e se fosse na frigideira a Andréa ia me matar) e a carne ficou show - também a fome colaborou!
Quando dei por mim o vinho tava no final, foi quando fui na minha reserva pessoal - que chick -  e peguei um Santa Helena - Carmenere - Chileno Gran Reserva 2005 - e fritei o restante da carne que era o almoço das crainças no dia seguinte...rsrsrs...porém, a fome só aumentava e como eu tinha feito um caldo verde na noite anterior com uma linguicinha vinda diretamente de Portugal elaborada artesanalmente em Vagos, que só quando minha mãe vai pra lá...hummmmm...tomamos uns dois pratos de caldo verde...dos deuses...daí me lembrei que tinha na geladeira uma "terrina" olha o termo arcaicamente português..terrina com pinhão e atacamos o dito cujo, não comentei o pão, mas para português está implicíto o pão e o azeite, tá?
Já estávamos satisfeitos...ah...e isso tudo ouvindo e assistindo a bons clipes dos anos 70 - 80 - 90 com muito New Wave e Rock'n Roll... assunto é o que não faltava...a essa altura estávamos falando mal de alguém que não me lembro o nome rsrsrs...mas voltando à enogastronomia, quando estávamos satisfeitos lembrei que tínhamos pêssegos e alguns docinhos e salgadinhos que sobraram de uma festa que a Andréa organizou e abri um Fontana Freda - Asti - Mascatel que degustamos com salgadinhos a base de calabresa e damasco e pêssegos...divino...a essa altura o papo estava num tal de Rocco, talvez seja um vinho Italiano, pois da cozinha eu só ouvia: ...parece uma garrafa... sei lá que vinho é esse que a mulherada tanto gosta...mas vou descobrir!
Então me lembrei de um artigo que dizia que, na Europa, nos vinhos com a denominação de origem controlada são proibidos a adição de açúcar e outros aditivos, mas que no Brasil isso é permitido, não só a adição de açúcar, como também um clarificante...não sei porque eu lembrei disso e qual a relavância, talvez tenha sido inconscientemente a deixa para eu abrir mais uma garrafa de vinho, agora um brasileiro Garibaldi - Moscatel, com sua perlage(bolhinhas) e aroma deliciosos e num balde de gelos com a temperatura já ideal, não sei porque mas nós ríamos muito e de qualquer coisa.

Não precisamos de muita coisa, apenas boa vontade e amigos e a velha e famosa "faxina na geladeira", pra quem assistiu ao desenho "Ratatouille" sabe que o improviso é essencia da gatronomia.
Queria compartilhar com vocês a cada evento minha percepção a respeito desse mágico mundo dos vinhos e sua relação com as pessoas, mesmo porque eles só são bons porque nós, os amigos existimos e tornamos inesquecíveis os momentos que nos utilizamos deles para alegrar nossas noitadas.
Saúde a todos e até a próxima e que seja bem próxima!!!
Termino com um provérbio espanhol:

"Para vinho ter gosto de vinho, deve ser tomado com amigos" 

Marcos.